Alessandro Sciarroni é um artista italiano, que opera na área das artes performativas, tendo vários anos de experiência nas artes visuais e na pesquisa teatral. Foi este ano galardoado com o Leão de Ouro da Bienal de Dança de Veneza. Apresentou-se no passado fim-de-semana no Festival Materiais Diversos, no Cartaxo, com o espectáculo “Don’t be frightened of turning the page”.

Sciarroni desenvolveu uma técnica em que roda sobre si próprio num aparente movimento perpétuo, quase hipnótico. A performance começa com a contagem dos passos da diagonal do espaço de cena, a que vai retirando um passo a cada percurso, até que se inicia o movimento giratório. Não será inusitado virem-nos à memória imagens dos dervishes turcos e persas.

Para uma pessoa, como este que vos escreve, para quem dar uma pirueta equivale a um forte desequilíbrio, não posso deixar de achar impressionante que o performer mantenha o movimento ininterrupto por mais de 30 minutos. Do espanto, passa-se para a admiração, e depois para o reparar nos vários detalhes: o seu corpo como um todo, os pés, as mãos, a expressão facial. Estes detalhes vão variando dentro do movimento constante. A música faz-nos pensar num mantra, a que Sciarroni vai reagindo.

“Don’t be frightened of turning the page” já teve várias apresentações internacionais, e o público do Teatro do Bairro Alto terá a oportunidade de o ver de 10 a 13 de Outubro, como parte da programação de abertura desta sala lisboeta. A versão apresentada será a versão para teatro, com o nome “CHROMA_Don’t be frightened of turning the page”. Esta conta com o desenho de luz de Rocco Giansante. No Cartaxo a luz era fixa, pois a apresentação decorreu num espaço não convencional. No caso, na praça de touros local.

Sciarroni voltará em breve a Portugal com outra das suas criações, AUGUSTO. Será no próximo Festival Dias da Dança (DDD), na primeira metade de 2020.

Categorias: Dança

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