É tempo de aurora negra.

É tempo de começo. Indo a um ponto primordial. Reconhecer. Ouvir.

2021. 2020. 2019. Três mulheres negras fazem-nos sair do nosso lugar. Fazem-nos pegar num dos muitos fios de memória. Agarramos um cordão umbilical que nos une à dor visceral que se faz sentir na pele.

Percorremos memórias. Sorrimos. Dançamos. Ouvimos lugares comuns de empatias pré-fabricadas.

O caminho é grande. Enorme. O que posso dizer, do meu lugar, é uma ínfima parte do que a Cleo, a Nádia e a Isabel me transmitiram. Posso falar do meu lugar de privilégio que, como ouvi numa conferência há uns anos, não significa que fui beneficiada apenas. Significa mais! Que não fui prejudicada pela cor da minha pele.

Podia.

Mas é altura de escutar. Altura de ver, ouvir. Sentir.

Abram as portas a estas mulheres. Abram as portas às filhas das lavadeiras e das senhoras da limpeza.

Nós estamos aqui. Para ouvir. Para cada dia, começar esse caminho tão comprido e tão necessário.

Aurora Negra, de Cleo Diára, Isabél Zuaa e Nádia Yracema
10 – 20 jun 2021
Teatro Nacional D Maria II

Categorias: Teatro

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