O retomar de mais uma temporada de espectáculos é sempre um bom pretexto para fazer o balanço da que terminou. Foram apresentadas centenas de espectáculos, um pouco por todo o país, com uma qualidade em geral muito elevada. O trabalho, empenho, dedicação, sangue, suor e lágrimas dos nossos actores, técnicos, produtores, programadores, e outros agentes culturais, diz muito da oferta cultural e do estado actual das artes. Precisamente, o estado das artes é uma pergunta recorrente feita aos entrevistados no Coffeepaste. Normalmente, a resposta tem duas partes. Uma diz respeito à oferta, e outra a aspectos de financiamento / trabalho. Deixo aqui a minha visão.

A oferta cultural em Portugal está de boa saúde. Certamente que fora dos grandes centros urbanos (Lisboa e Porto) há muito a fazer, mas redes como a 5 Sentidos e a Artemrede ajudam a descentralizar. A recentemente criada Rede de Teatros e Cineteatros Portugueses será mais um incentivo à circulação de espectáculos. Ou, pelo menos, assim se espera.

O tema do financiamento e das condições de trabalho é recorrente, e não menos importante. Reclama-se há anos por mais financiamento público para as artes. Os famosos 1%. Concurso após concurso, vêm a público descontentamentos, sentimentos de injustiça, erros, más interpretações. Parece que não há um ciclo de financiamento pacífico. Este ano os concursos abriram dentro do prazo e prometem resultados em setembro (deste ano). Sería inédito, por isso esperamos para ver.

Faz falta regularidade e previsibilidade nos prazos e procedimentos dos concursos. Sem isto, a vida das estruturas artísticas, já em grande parte precária, fica ligada à máquina. Isto se houver dinheiro para a máquina. Faz falta mais dinheiro, bem distribuído. Faz falta cobrir todo o país com oferta cultural de qualidade. Faz falta dar oportunidades aos novos e não faltar no apoio aos antigos.

O que faz falta é animar a malta.

Foto de Kilyan Sockalingum
Categorias: Reflexões

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