Quando se vê um espectáculo como este, percebemos a falta que fazem produções de grande fôlego, com grandes elencos (em tamanho e qualidade), nos grandes palcos. Assim, o Teatro Nacional D Maria II cumpre parte da sua missão, cumprindo outra parte ao trazer à cena grandes textos da história do teatro.

A acção passa-se num albergue, onde se reúne um conjunto heterogéneo de pessoas, que têm em comum a miséria material. São pessoas que, por uma razão ou outra ali acabam e, nalguns casos, ali morrem.

Jorge Silva Melo encena e foi coautor do texto, tarefa certamente difícil mas bem conseguida. Reflete-se sobre a dita miséria, sobre a condição humana, e sobre os valores nela presentes (ou dela ausentes). A alternância entre a acção da peça e o “coro dos oprimidos” (que ocupa a boca de cena) é muito bem conseguida. Esse coro que, de tempos a tempos, como que interpela o público, remete para a reflexão sobre os temas abordados.

O elenco é muito competente e, desde os consagrados aos emergentes, cumpre bem o seu papel, guiando-nos pela trama com ritmo e rigor.

O Grande dia da batalha, de Jorge Silva Melo
18 jan – 25 fev 2018
Teatro Nacional D Maria II

variações sobre o Albergue Nocturno de Máximo Gorki e Jorge Silva Melo
com Vânia Rodrigues, Paula Mora, Rúben Gomes, Hugo Tourita, Figueira Cid, André Loubet, José Neves, Simon Frankel, Ricardo Aibéo, Inês Pereira, Gonçalo Carvalho, João Pedro Mamede, Pedro Baptista, Tiago Matias, Gonçalo Egito, João Estima, Diana Narciso, Rita Delgado, Miguel Galamba, Sara Inês Gigante
cenografia e figurinos Rita Lopes Alves
construções Thomas Kharel
som André Pires
apoio musical Rui Rebelo
luz Pedro Domingos
fotografias Jorge Gonçalves
produção Artistas Unidos
coprodução TNDM II
M/12
Categorias: Teatro

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