“Grandes benesses”. Grande benesse poder assistir a um texto fundamental do teatro do século XX na voz e interpretação de Cucha Carvalheiro.

A peça de Samuel Beckett roda em torno de Winnie que, enterrada até à cintura, segue a sua rotina diária como se nada fosse. Manipula vários objectos que retira da sua mala, e fala do seu dia a dia com descontração, aparentando não prestar atenção à situação inusitada em que se encontra. O marido, Willie, presente-ausente, é testemunha dessa realidade.

Entre o toque da manhã e o toque da noite, faz os possíveis por viver um dia normal, conta-nos histórias que testemunhou, e espera ter tempo para cantar a sua canção.

No segundo acto, Winnie está enterrada até ao pescoço, mas não perde o ânimo. Até ao toque da noite, mantém o optimismo e acredita que terá sido um lindo dia.

O trabalho da actriz é notável, fazendo recurso de apenas parte do corpo e, a certa altura, apenas da voz e expressão facial.

Em entrevista ao Coffeepaste, a actriz Cucha Carvalheiro conta que esta peça é como que uma quimera para uma actriz, e que, ou a fazia agora, ou já não a fazia. E fá-lo, ao bom velho estilo.

Entrevista de Cucha Carvalheiro ao Coffeepaste

Lindos Dias!, de Samuel Beckett
12-22 abril 2018
São Luiz Teatro Municipal
Lisboa

Encenação: Sandra Faleiro;
Tradução: João Paulo Esteves da Silva;
Interpretação: Cucha Carvalheiro e Luís Madureira;
Cenário e figurinos: Maria João Castelo; Luz: Cristina Piedade;
Música: Sérgio Delgado;
Assistência de cena: Hélder Bugios;
Assistência de produção: Diogo Costa

Categorias: Teatro

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