José Saramago (1922-2010) dedicou grande parte da sua obra literária a Pilar del Rio, sua mulher. Em “As pequenas memórias” escreve, “A Pilar, que ainda não havia nascido, e tanto tardou a chegar”. O documentário “José e Pilar”, de Miguel Gonçalves Mendes é, além de tudo o resto, uma crónica da relação do casal.

Ao longo de largos meses, acompanhamos a vida de José Saramago e da, sempre presente, Pilar. Desde que recebeu o Nobel da Literatura em 1998, a vida do escritor foi um constante encadeado de viagens, conferências de imprensa, inaugurações, visitas, entrevistas, e outros eventos. Dir-se-ia que pouco tempo restaria para a escrita. No entanto, ao longo do periodo que o filme abarca, Saramago escreve “A Viagem do Elefante”, e ainda perspectiva “Caim”, que viria a ser o seu derradeiro livro. E, pelo meio, testemunhamos uma doença grave que quase lhe levou a vida, e que o deixou internado por algumas semanas.

As relações com Portugal, a situação politica em vários países, o pensamento de Saramago sobre diversos aspectos da vida em sociedade, são-nos dadas a conhecer ao longo de duas horas em que, realmente, sentimos que acompanhamos o escritor no seu dia a dia.

O realizador consegue um documentário que, ao mesmo tempo que nos descreve os acontecimentos, dá uma visão poética e muito tocante desses mesmos acontecimentos, pelo que escolhe incluir, e pela cuidada montagem e banda sonora.

No primeiro plano deste documentário vemos Saramago no topo de um monte dizendo, “Pilar, encontramo-nos noutro sítio”. Assim será. Assim será…

Entrevista de Sérgio Machado Letria, Director da Fundação José Saramago, ao Coffeepaste

José e Pilar, de Miguel Gonçalves Mendes (2010)
Ver em Filmin

 

Categorias: Cinema

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