Há limites para o humor? Este parece ter sido o ponto de partida de onde Pedro Penim e Hugo van der Ding partiram para a escrita do texto deste espectáculo, que Penim foi convidado a encenar para a Companhia Maior. Esta companhia, fundada em 2010 por iniciativa de Luísa Taveira, é composta por actores com mais de 60 anos. Todos os anos convidam um criador português a com eles trabalhar. Entre os encenadores escolhidos estão nomes como Tiago Rodrigues, Monica Calle, Jorge Andrade e Tonan Quito.

Ao que consta, a primeira reacção do elenco ao texto não terá sido a melhor. De facto, brinca-se com temas considerados tabu e com os quais “não é suposto” brincar. Mas aos poucos foram trabalhando o guião e chegou-se ao formato final.

Em resumo, a acção passa-se na casa de uma senhora de bem durante uma festa. Durante as cerca de duas horas da acção, vão-se tendo várias conversas, umas mais alegres, outras certamente mais negras, onde se vai testando a resistência das personagens ao que é dito, mas também do público. Se parte deste ria com as piadas mais fortes, outra parte ficava num silêncio comprometido. Esta é, na minha opinião, uma das armas da peça, esse “desarmar” do público, e uma certa intenção de o apanhar desprevenido.

A certa altura, depois de um climax que não descreverei para não estragar a experiência, entra-se na trama um ambiente de romance policial, com referências a Agatha Christie, mas também à famosa série “Crime, disse ela”. Tudo se resolverá no fim. Será?

Se o termo “humor negro”, cunhado por André Breton esteve na génese deste espectáculo, a expressão “humor maligno” passará a fazer parte do vocabulário de todos os que tiverem oportunidade de assistir a esta montanha russa de humor (mais ou menos) negro.

Uma nota final para os actores, muito seguros e com um sentido de humor apuradíssimo, e para a participação da irreverente criada Cida (cujo nome possibilitou piadas deliciosamente negras), interpretada pelo co-autor da peça Hugo van der Ding.

Rir doi?

O encenador Pedro Penim em entrevista ao Coffeepaste, onde fala deste espectáculo

18-21 novembro 2017
Centro Cultural de Belém
Lisboa

Texto Pedro Penim com Hugo van der Ding
Encenação Pedro Penim
Figurinos Joana Barrios
Cenário Bárbara Falcão Fernandes
Desenho de Luz Daniel Worm
Assistência de Encenação Óscar Silva
Fotografia Bruno Simão
Registo vídeo do espetáculo Marco Arantes

Intérpretes
Angelina Mateus, Carlos Fernandes, Carlos Nery, Catarina Rico, Cristina Gonçalves, Elisa Worm, Helena Marchand, Isabel Millet, Isabel Simões, João Silvestre, Jorge Leal Cardoso, Júlia Guerra, Kimberley Ribeiro, Manuela de Sousa Rama, Maria Emília Castanheira, Maria Helena Falé, Maria José Baião, Mário Figueiredo, Paula Bárcia e Hugo van der Ding.

Produção Executiva Companhia Maior
Produtor da Companhia Maior Luís Moreira

Foto: Bruno Simão

Categorias: Teatro

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