Em Omnion, o mais recente álbum dos Hercules and Love Affair, encontramos algumas das músicas mais ensimesmadas e melancólicas da banda. É tema recorrente do disco a luta de Andy Butler (o fundador do projecto) com o abuso de substâncias, a que voltou depois do sucesso dos últimos discos, e o seu caminho para a sobriedade.

Mas nem por isso o concerto da passada sexta-feira foi menos festivo. A hora tardia, o local — a pista da discoteca Lux — e a quase ausência de pausas entre as músicas ajudaram a marcar o tom.

Omnion, o tema que dá nome ao último disco e um dos mais intimistas, serviu de arranque ao concerto, trocando a voz de Sharon Van Etten, vocalista convidada no álbum, por Rouge Mary, um dos dois vocalistas que seriam as peças centrais da noite (Rouge Mary que, apesar do nome e de se apresentar de cabelo comprido e vestido, afirma em entrevistas que quer que se perceba que é um homem com uma expressão andrógina). Gustaph, com voz segura e um falsete irrepreensível, completou o duo de vocalistas que vão rodando na formação da banda.

Muitos dos temas foram apresentados com novos arranjados ou em versões remisturadas, atirando para segundo plano a sonoridade mais disco em que vimos nascer o grupo, e tornando mais evidentes as influências house — caso do hit Blind, por exemplo, apresentando numa versão bem menos gingona do que aquela que o tornou tão popular. Esta é, ainda assim, uma transformação que também vai sendo evidente nos álbuns e a prova de que os Hercules and Lover Affair têm sabido evoluir e mantido uma sonoridade fresca.

E, mesmo com ambiente de festa, não faltou substância nem mensagens sérias: com Andy Butler a pedir ao público “be yourself” (a dar o mote para 5.43 to Freedom) e Mary Rouge a fazer-nos esquecer as agruras do dia-a-dia, antes de se lançar a Rejoice.

17 novembro 2017
Lux
Lisboa

Categorias: Música

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